| The everlasting fall |
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estudante de psicologia, ex-futura jornalista, insône, preguiçosa, compulsiva, caótica. músicas, filmes, livros, sarcasmos, conversas aleatórias, risadas escandalosas, epifanias diárias - e noturnas. camila, muito prazer. |
Sábado, Novembro 07, 2009 esquizofrenia pt. II
acusaram-na de se esconder. acusaram-na de ser covarde, preguiçosa, ingrata. chamaram-na de louca. não a compreendiam. não entendiam como era ser duas ao mesmo tempo e, ainda assim, não ser nenhuma. não sabiam como era ser apenas uma narradora de uma personalidade fragmentada, viver fora de sua própria vida. ela era assim, e não queria pena ou compaixão. tampouco esperava ajuda ou entendimento. a triste verdade é que nem ao menos sabia o que queria - esta era a única realidade que conhecera e a simples idéia de sair dela lhe apavorava totalmente. confortara-se em ser sempre apenas uma mediadora, anestesiada, alheia, agindo sempre como se brincasse com marionetes, manipulando suas próprias personalidades como se fossem de outros. não entendia, simplesmente não conseguia entender aqueles que sabiam quem eram, aqueles que sabiam ser quem de fato eram. percebia tão claramente as várias pessoas que habitavam dentro dela que era impossível apenas ignorá-las. via a discrepância de seus pensamentos, medos e atitudes, sabia de seus anseios. observava-as de cima, como que pairando, onisciente como um deus. ouvia suas vozes, sentia seus cheiros, seus sons, seus passos, seu calor, suas luzes, suas texturas... não, não era louca. você provavelmente pensa o contrário, mas ela era tão normal quanto eu ou você. talvez precisasse de um pouco de ajuda, bem verdade, para compreender a possibilidade de se ser várias ao mesmo tempo, desempenhando todos os papéis, mas ciente de sua existência. não compreendia - ainda que tentasse - não compreendia como era possível ser várias ao mesmo tempo sem se perder de si mesma. viver em dobro, ao invés de viver pela metade. não compreendia, não era compreendida. enchiam-na de remédios, lutavam para preencher o vazio da multidão que a torturava dentro dela, afastavam-na cada vez mais de sua pálida realidade, negavam seus problemas, impunham suas vontades. ela tinha medo, sim. medo de se perder pra sempre, medo de enlouquecer. mas seguia em frente. era a única vida que conhecia, e era assim que tinha de ser. sim, apenas seguia em frente sempre,
até o fim. por Cami, às 2:48 AM. Quarta-feira, Agosto 26, 2009 ...but i'm a creep... por Cami, às 3:06 AM. Terça-feira, Junho 16, 2009 primeira carta ao amor
é a primeira vez que te escrevo. faz tanto tempo desde nosso último encontro que estava até receosa em te escrever; "não faz mal", pensei, pois conheço bem tua capacidade de compreender e acolher. escrevo-te apenas para contar o que já sabes: que a vida segue, mesmo com tuas ausências. uns dias nublados, umas tempestades aqui e ali, as cores mais desbotadas, mas a vida vai bem. existe vida sem você, amor. sim, é um tanto solitária, sobretudo naquelas noites frias em que nossas memórias vinham me aquecer. naquelas madrugadas onde o silêncio quase me enlouquece, é sempre em ti que me apoio - em memórias ou projeções, é sempre você aqui, comigo. mas agora é diferente, meu amor. para ser sincera, cansei de ti: nem quero mais que sejas meu. vai, segue teu rumo - logo encontrarás alguém pra te acolher. não te aguento mais sempre comigo, sempre observando e norteando minha vida. já fiz tantas coisas em teu nome, tu sequer imaginas. por isso te imploro, meu amor, me abandona. preciso aprender a dormir sem o teu calor, a me confortar sem tuas ilusões. já se passaram vinte anos, meu amor, e ainda nos alimentamos de ilusão. cuida-te e segue teu rumo, por Cami, às 9:32 PM. Quarta-feira, Abril 15, 2009 das noites de solidão que mereciam ser silenciadas (e infelizmente não foram)
sentara na varanda para apreciar o silêncio daquela noite estrelada. fazia frio, mas seu corpo fervilhava de ódio, de tudo e de todos os que tinham alguma culpa, e também daqueles que não tinham culpa alguma. odiava os errados, mas odiava ainda mais os certos, por serem tão perfeitos. pensou nele. queria sentir aquele ódio por ele também, mas seu corpo estremecia de saudade e tristeza. não o odiou - apesar de ter tentado tanto - e o queria ali, naquele momento. a conversa que tiveram outro dia ecoava em sua cabeça: em suas projeções futuras, ambos se viam sozinhos. estavam sozinhos hoje, estariam sozinhos daqui dez anos. quiçá ficariam sozinhos para sempre. era triste, essa certeza. mais triste ainda era saber que não poderiam se ajudar. o ódio brilhou novamente em seu ser, por todo esse vício na solidão crônica, irremediável. IRREMEDIÁVEL - a palavra veio como uma flecha no meio do peito. lembrou de uma das várias brigas que tivera nesse período de ódio, quando lhe disseram que mesmo com todos por perto ela sempre se via sozinha. percebeu, com tristeza, a verdade dessa afirmação. era uma solitária incorrigível, uma ermitã, que passara a vida afastando pessoas e reclamando de solidão. era a única responsável, bem sabia, mas secretamente o culpava por tê-la feito perceber isso. outra flecha no meio do peito: odiou o momento em que ele surgira em sua vida. aquele sorriso, aquelas palavras, as mãos, os toques, os cheiros - era como se seus desejos mais íntimos se materializassem, bem diante de seus olhos. ele tinha, porém, um defeito: não a queria, talvez por ser tão solitário quanto ela. por isso, lutara até o fim para que ele não lhe invadisse a vida e reorganizasse, à força, tudo o que ela passou anos construindo. conseguira, sim, evitar a paixão, mas a obsessão lhe açoitava a alma. pensava nele em todas as horas do seu dia, e sentia-se mais sozinha do que nunca nesses momentos. pensando sobre o amor, teve medo. não mais queria amar ninguém, queria abraçar sua solidão e aceitar seu destino. não mais sabia o que era o amor, não conseguia mais separá-lo da dor. lembrou do livro que estava lendo, A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera. aquele livro trouxera beleza e entendimento para sua vida, mas ao mesmo tempo era incrivelmente doloroso. sua personalidade confundia-se com a dos personagens, como na descrição que Kundera fazia do amor de Franz: "O amor era para ele o desejo de se entregar às vontades e caprichos do outro. Aquele que se entrega ao outro como um prisioneiro de guerra deve antes entregar todas as suas armas. Vendo-se sem defesa, não pode deixar de se indagar quando virá o próximo golpe. Posso, portanto, dizer que o amor era para Franz a espera contínua do golpe que iria atingí-lo." mais uma flecha: era isso. sofria com a solidão, ainda que isso fosse culpa dela; mas sofria igualmente com o amor, pela ansiedade da espera pelo próximo golpe. amanhecia, agora. o ódio fora substituido pela calma de quem finalmente se encontra. era uma solitária incorrigível, mas sabia que continuaria procurando por aquele que a arrancaria dessa solidão, continuaria amando, continuaria tentando. serenou, por fim, esperando pacientemente o próximo golpe. por Cami, às 4:33 AM. Sábado, Março 21, 2009 coisas pra se levar pra vida toda:
1. se você quer mesmo fazer algo, faça sozinha. 2. se você precisa confiar em alguém, confie em você. 3. nunca, nunca mesmo, se envolva com um colega de trabalho. 4. não tente mudar da noite para o dia; mudanças graduais demais também não dão certo. 5. você nunca vai encontrar exatamente o que procura, mas nem por isso deve deixar de procurar. 6. as pessoas são o que são, não o que você espera que elas sejam. 7. aceite que nem tudo o que é importante pra você, é importante para os outros. 8. nunca, nunca mesmo, se envolva com quem não parece se envolver. 9. tome as decisões que forem importantes pra você. 10. nunca, nunca mesmo, acredite em coisas que você mesmo criou. por Cami, às 3:31 AM. Domingo, Março 01, 2009 esquizofrenia
eu tentei. tentei encarar a vida de outra maneira que não a nossa; tentei passar tardes ensolaradas como se nada mais nos importasse; tentei nos refazer, nos reconstruir, com todas as fantasias que criamos sobre o que era a vida, sobre o que era a morte, o que éramos nós. tentei viver sem você, viver sem mim, sem nós. e o mais importante é que, por breves segundos, eu acreditei que havia vida sem você. naqueles segundos onde o ar me faltava de tanto azul, onde até mesmo os dias cinzas eram repleto de flores, onde o tempo corria leve, era nessas horas que eu me sentia completa, sem você. sempre achei que essa nossa decisão de nos separarmos definitivamente era um tanto definitiva demais, um tanto irreversível demais para mim. mas você, sempre você, disse que devíamos tentar. lembro que você riu quando eu disse que achava que jamais conseguiríamos. você também achava, tenho certeza. a vida sem você, de início, foi perfeita. sem mais os seus infortúnios, sua mania de desacreditar em tudo, suas punições, sua presença aterrorizante, seu pessimismo. era como se tudo o que eu quisesse pudesse acontecer; era como se eu finalmente soubesse quem eu era. mais depois de um tempo, me veio um vazio, uma sensação de "e agora, o que eu faço da minha vida sem você, baby?". e nada mais era perfeito, nada mais era completo. a solidão que me cercava era ainda mais aterrorizante do que a sua presença constante. estar livre era mais duro do que ser controlada e vigiada e punida por você o tempo todo. não havia mais 'o jeito que eu via o mundo': não havia mundo. não havia nada e nem ninguém sem você. só o que eu via eram as cores da minha vida desbotando, e nem isso me importava realmente. era como se me tivessem arrancado o coração, não havia mais sentimento. e perdida no meio desse vazio eu percebi: sem você não dá. sem você, não há um eu. e sem mim, não há você. passei horas tentando lembrar - quem sugeriu que deveríamos nos separar? não fazia sentido uma idéia estúpida dessas. chorei, chorei até a exaustão, de solidão, de arrependimento e de medo, sim, medo de que você nunca mais voltasse. medo de que eu nunca mais voltasse. então ouvi aquele som, tão silencioso e familiar, o som da sua presença. a sua respiração perto de mim, o peso do ar, o som dos seus passos. era você, de volta, pra me completar. sorri, inteira novamente. sei que você também sorriu, antes de voltar a me controlar e me vigiar e me punir. pude ver o cinza voltando, aos poucos, o mundo retomando a sua familiaridade, a realidade se tornando novamente real. e por horas nós recriamos nossas idéias, nossas concepções, nossas madrugadas, nossas batalhas, nossa vida. é bom te ter de volta, analice. por Cami, às 4:23 AM. Quinta-feira, Janeiro 22, 2009 "Porque havia o sufocamento daquela espécie de patético simulacro de fantasia matrimonial provisória, a dificuldade de manter um clima feito linha esticada, segura para não arrebentar de súbito, precipitando o equilibrista no vazio mortal. Cheio de carinho, remexeu no doce, sem empurrar o prato. Preferia a fome: só isso. Pelo longo vício da própria fome — e seria um erro, porque saciar a fome poderia trazer, digamos, mais conforto? — ou de pura preguiça de ter que reformular-se inteiro para enfrentar o que chamam de amor, e de repente não tinha gosto?"
caio, como sempre. por Cami, às 2:25 AM. Segunda-feira, Janeiro 05, 2009 estou planejando uma retrospectiva de 2008 faz dias. aliás, é assim que eu vivo há anos: olhando para o passado e perdida em nostalgias, ou correndo o tempo pensando num amanhã que nunca se torna hoje.
porém, agora as coisas estão meio diferentes. é difícil parar, olhar pra trás e refletir sobre como foi o passado quando o presente exige tanto a minha atenção. é difícil me perder em nostalgias quando não há muito tempo para devaneios. acho que me acostumar com o presente está sendo o mais difícil - justamente eu, que vivi sempre o passado ou o futuro, mas jamais o presente, agora sou solicitada por ele em tempo integral. deve ser essas coisas clichês de carpe diem, não sei. o que eu sei é que eu estou vivendo os melhores dias da minha vida, mas só percebo isso quando olho pra trás. tudo de melhor que eu vivi até hoje só passou a ser bom quando já não existia mais, quando era mais uma lembrança nas milhares de tranqueiras que me alimentam nos dias ruins. acho que esse é o primeiro ano que eu vejo que estou no presente, e não presa num passado que não existe mais ou num futuro que talvez nem venha a existir. 2008 está longe de ter sido um ano bom. foi melhor que 2007, true, mas isso era fácil. 2007 foi o ano de destruir tudo. 2008, o ano de começar a fundação do meu novo eu. a readaptação, a nova faculdade, a nova casa, o novo bairro, o novo cachorro, a nova amizade com a minha irmãzinha, os novos amigos do coração forever and ever (ber e uli, estrelinhas eternas), novas paixões, novo namorado, nova tatuagem, nova cabelereira, nova manicure, etc etc etc. foi o ano do novo. mas sabe como é, às vezes as coisas novas ainda não tem bem o seu jeito, sua personalidade. ainda aperta aqui e ali, mas com o tempo se adapta e tudo fica perfeito. essa é a esperança pra 2009. 2007 derrubou. 2008, fundação. 2009, construir. 2010, desfrutar. ih, pronto, já estou vivendo no futuro de novo :/ por Cami, às 3:12 AM. Sábado, Dezembro 20, 2008 sonhei:
noite de natal, trabalhando na locadora. pessoas solitárias, tristes, procurando filmes para passarem pensativos a tal "noite feliz". que de feliz para nós, que trabalhamos ou somos solitários, não haverá nada. todos cabisbaixos, procurando filmes e esperanças. no caixa: - são treze reais. - aqui está. - quer uma sacolinha? - não, brigada. - e um abraço? e assim todos sorrimos e ficamos menos tristes na noite de natal. por Cami, às 12:55 AM. Sexta-feira, Novembro 14, 2008 você é a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida :) por Cami, às 9:37 PM. Quinta-feira, Outubro 30, 2008 Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô
chovia quando você chegou. ouvindo seus passos no corredor, me apressei em recolher os cacos de mim espalhados por todo o quarto, enxugar lágrimas, desborrar a maquiagem, colocar qualquer sorriso no rosto. não sei se consegui evitar que você percebesse o quão quebrada e frágil eu estava, mas eu não queria demonstrar tamanha fragilidade perto de você. não sei o que te trouxe até este quarto úmido onde nunca tem sol - talvez tenha sido apenas para se proteger da chuva que também encobria o seu céu. você entrou quase sem me olhar. foi se secar, colocar roupas limpas, enquanto reclamava dos dias cinzas e frios com os quais eu me acostumara tão bem a viver. eu já tinha desistido de te fazer gostar dos dias frios; aliás, eu nem queria - tinha medo de que você se tornasse cinza como eu. continuei em silêncio, olhando pela janela, distante de você e de todo o resto do mundo. em resposta ao meu silêncio, você se calou também. o peso daquele silêncio nos obrigou a abrir cortinas, mexer em gavetas, procurando por qualquer assunto que pudesse quebrá-lo. percebíamos que não haveria outra saída a não ser falarmos de nós mesmos, e isso nos incomodou tanto quanto o próprio silêncio. depois de todas as banalidades que podem ser ditas a qualquer-quase-estranho, ouvi você falar algo sobre estrelas e me doeu pensar que eu nem lembrava a última vez que as tinha visto, há tanto tempo presa naquele quarto escuro onde é sempre cinza e chuvoso. eu falei em mapa astral, você falou em oráculos, e assim seguimos tirando cartas, fazendo planos, tateando astros em comum por toda a madrugada. cada carta de tarô nos revelava um pouco mais de nós mesmos. cada i-ching nos tornava mais próximos, mais íntimos. entre um oráculo e outro, você perguntou porquê eu não saía daquele quarto solitário e cinzento. com medo, te disse que eu simplesmente tinha aceitado a chuva e a solidão que me fora sempre imposta, e que por mais que eu até andasse por aí pulando poças em outros tempos, percebi que não valia a pena correr o risco de pegar uma gripe ou levar um raio na cabeça, você sabe, essas coisas que acontecem o tempo todo. não valia a pena me expor, me arriscar, me machucar; por isso me fechei aqui e afastei a todos, inclusive a mim mesma. me amaldiçoei por ter sido tão sincera - também me acostumei a viver me escondendo de todos -, mas mentir poderia levar todos aqueles oráculos ao meu redor a se rebelar e acusar a minha mentira, e achei que isso te afastaria. não queria te ter longe. depois pensei que a verdade te afastaria também, mas já não havia como voltar atrás. fiquei com tanto medo que quase te afastei, antes que você o fizesse. vi você se levantar e novamente o silêncio preencheu o quarto. mas não o silêncio incômodo que outrora nos obrigou a falar de banalidades, era um daqueles silêncios confortáveis que só existem entre duas pessoas íntimas. vi você andar em silêncio pelo quarto e me olhar assustado quando te perguntei no que você estava pensando. você disse que estava pensando que eu não merecia estar ali, naquele canto úmido que escolhi para me abrigar. não merecia aquele frio, aquele cinza. disse que toda aquela chuva era o cosmo, chorando por mim, e eu tive que segurar todas as lágrimas que surgiram ao ouvir coisas tão lindas e que há tanto me haviam sido negadas. você me pegou pela mão e me chamou pra ir com você. como antigamente, eu nem pensei no medo de sair, de me molhar, nem questionei para onde ou como iríamos. fechei os olhos e fomos, rumo ao desconhecido. abrimos a porta e vimos, sem conter nossos sorrisos, que o mundo lá fora já não era mais o mesmo. "vem vamos embora, já parou de chover", te disse, e mergulhamos juntos no calor daquele dia azul. eu ainda não gostei desse texto, mas fazia tempo que queria atualizar. inspirações melhores virão :) por Cami, às 11:16 AM. Quarta-feira, Outubro 08, 2008 Inspirada pela Nany, resolvi pensar nas minhas frases preferidas dos meus filmes preferidos. Foi muito difícil escolher vinte filmes só, e mais difícil ainda escolher uma frase pra cada um. Alguns, inclusive, foi impossível escolher uma só. Tá que esse post vai ser completamente meu, já que não acho que as pessoas vão parar pra ler tudo o que eu vou escrever, mas enfim. Todo mundo tem direito a posts inúteis de vez em quando. Não consigo escolher a minha ordem de preferência dos filmes, então, a ordem é aleatória. Para ver o nome dos filmes, é só selecionar o texto.
"I've already lost you once, I'm not gonna lose you again." The Butterfly Effect "Just remember, the sweet is never as sweet without the sour, and I know the sour." "Open your eyes..." Vanilla Sky "'Cause you're, like, the coolest person I've ever met, and you don't even have to try, you know... - I try really hard, actually." Juno "That's when you know you've found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence." Pulp Fiction "Hey - how many more times do you need to hear the all-too-famous line of 'I just don't feel that way about you?'" "I don't know where to put things, you know? And I really do have love to give, but I just don't know where to put it." Magnolia "I wish I had stayed. I wish I had done a lot of things." Eternal Sunshine of the Spotless Mind "I think knowing you is the start of a pretty big adventure." Hairspray "You want some advice, well here's a piece of advice from me to you, lay off the caramels." Chicago "Purple in the morning, blue in the afternoon, orange in the evening." "I'm somebody now, Harry. Everybody likes me. Soon, millions of people will see me and they'll all like me. I'll tell them about you, and your father, how good he was to us. Remember? It's a reason to get up in the morning. It's a reason to lose weight, to fit in the red dress. It's a reason to smile. It makes tomorrow all right." Requiem for a dream "Choose your future. Choose life... But why would I want to do a thing like that? I chose not to choose life. I chose somethin' else. And the reasons? There are no reasons. Who needs reasons when you've got heroin?" Trainspotting "Well, then you must be as blind as Anne Frank." Clerks II "I love you. And not, not in a friendly way, although I think we're great friends. You are the epitome of everything I have ever looked for in another human being. And I know that you think of me as just a friend, and crossing that line is the furthest thing from an option you would ever consider." Chasing Amy "No dream is ever just a dream." Eyes Wide Shut "When you have insomnia, you're never really asleep... and you're never really awake. With insomnia, nothing's real. Everything's far away, everything's a copy." "You are not special. You are not a beautiful or unique snowflake. You're the same decaying organic matter as everything else." Fight Club "Lying is the best fun a girl can have without taking her clothes off... but it's better if you do." Closer "I was thinking... you're nice, but you can't help me." The Sixth Sense "I'm not a nymphomaniac. I'm a compulsive liar. "We're all pretty bizarre. Some of us are just better at hiding it, that's all." The Breakfast Club "I know what it's like to want to die. How it hurts to smile. How you try to fit in but you can't. How you hurt yourself on the outside to try to kill the thing on the inside." "Have you ever confused a dream with life?" Girl, Interrupted "I don't want to be adored, I want to be loved." If Only... "...Then it really doesn't matter which way you go." Alice in Wonderland por Cami, às 2:42 AM. Quarta-feira, Setembro 17, 2008 Sonhos clichês ou O pior texto já escrito
acho que foi o vento que me trouxe de volta à consciência. abrindo os olhos lentamente, tudo estava tão frio e sem cor que não sei quanto tempo levei até perceber onde estava. mais tempo ainda teve que correr até que eu notasse que não estava sozinha. estávamos os dois ali, à beira do precipício. no começo a vertigem foi inevitável, já que estávamos tão alto que nem víamos o fim do precipício. sabíamos - ou imaginávamos - que haveria um fim, mas não conseguíamos nem pensar qual ou como ele seria. tampouco sabíamos como havíamos chegado lá, mas no meio do vento frio, das nuvens tão próximas, daquela angústia de não ver o que há diante de nós, no meio daquela vertigem, só me importava qual seria o próximo passo. afinal, em algum momento teríamos que dar algum passo, e não era possível recuar. lembro do momento em que te perguntei o que fazer. não lembro sua resposta - ou se você respondeu alguma coisa -, só lembro que você me abraçou e eu parei de sentir o chão que já me faltava. A vertigem deu lugar a uma liberdade nunca antes sentida, uma voragem, um desejo de ficar ali pra sempre, suspensa, viva. e fiquei, o tempo que nos foi possível, sentindo aquela força inédita para mim, até que a necessidade do próximo passo se impôs a nós. perguntei o que você queria fazer. você veio com idéias confusas de tentar recuar, achar abrigo, logo anoiteceria e ficaríamos presos ali na escuridão daquele abismo. veio com idéias práticas. eu sugeri que pulássemos, e você riu até perceber que eu falava sério. acho que você pensou que eu estava louca, mas eu só queria prolongar aquela voragem até o limite, aproveitar a sensação de liberdade que tanto ansiávamos, sentir a vida com a intensidade dos livres. discutimos porque eu queria ardentemente o risco e você dizia que não valia a pena correr riscos. mas o que é a vida sem riscos? acho que foi quando você disse que não havia porquê pular, já que haveria um fim, que percebi que não chegaríamos a um acordo. eu não queria ficar ali, no precipício, me equilibrando, me segurando, sem voragem nem vertigem. você não queria pular, se machucar quando encontrássemos o final, gritava que iríamos nos partir em pedacinhos. foi aí que eu corri em direção ao precipício, movida pela voragem, pra sentir aquela sensação tão boa por segundos, horas, meses, por quanto tempo durasse a queda. você me segurou, nos reprimiu, argumentou. sem sucesso. "a vida pra mim é feita dessas voragens, dessas vertigens, até mesmo de me partir em pedacinhos, baby. sem isso não vale a pena. te cuida, me cuido.", te disse antes de pular. e pulei, sentindo uma euforia tão grande que mal cabia em mim. acordei assustada, sozinha no meu quarto, ainda sentindo aquela voragem vertigem volúpia tão livre e tão forte que era como se ainda estivesse caindo. disse em voz alta que o maior risco da vida era não correr riscos e ver a vida passar em vão, se perder na neblina. sorri, meio insegura, sem ao menos pensar no fim da queda, e quase parei de sentir medo. por Cami, às 11:18 AM. Sábado, Setembro 13, 2008 "I'm just a fucked up girl looking for my own piece of mind, I'm not perfect."
. "I could die right now, Clem. I'm just... happy. I've never felt that before. I'm just exactly where I want to be." . "- I don't know. What if it breaks?" "- What if? Do you really care right now?" . "- This is it, Joel. It's going to be gone soon." "- I know." "- What do we do?" "Enjoy it. " . [eternal sunshine of a spotless mind] por Cami, às 2:57 AM. Quinta-feira, Agosto 14, 2008 Claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodka, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, gin-seng e lexotan,depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”
caio nunca me entendeu tão bem. por Cami, às 3:18 AM. Domingo, Agosto 10, 2008 .
existe algo pior do que viver em letargia? não sinto, não me movo. não gosto, não odeio, não amo, não vivo. pra quê? . por Cami, às 3:06 PM. Sexta-feira, Junho 27, 2008 foram horas que eu passei sentada olhando pra você e querendo contar de milhares de descobertas que eu fiz e de conclusões que eu tinha tido sobre a vida, sobre mim, sobre o cosmo, sobre você, sobre os outros, sobre nós. foram horas, dias, minutos, segundos, nem sei. você me disse que as coisas não eram assim, não funcionava assim, não podia sair concluindo coisas por aí. disse também que eu não podia criar uma realidade e acreditar nela. lembro bem disso porque eu criei. e eu acreditava.
[love is a losing game] e só queria te contar daquelas madrugadas insônes que eu passei ouvindo o barulho quase ensurdecedor do silêncio da solidão no escuro do meu quarto, anseando pela sua companhia. te contar das manhãs chuvosas que também passei acordada procurando por respostas que estavam em mim o tempo todo. e compreendi, compreendi tudo, naqueles minutos entre você-chegar-e-você-partir. vi tanto de mim que até me segurei para não cair, mas acabei caindo num poço mais fundo do que poderia supor que cairia ao me ver de maneira tão clara. [love is a losing game] quero que me escute, mesmo que não me entenda. veja bem, não é aquele mesmo poço que já te contei de tempos passados, não, aquele já ficou pra trás, esse é outro, novo, diferente. é claro, límpido. mas afoga e sufoca e prende da mesma maneira. me pergunto se é melhor cair num poço escuro ou ter plena consciência de estar afundando e não ter saída. fim da linha, xeque mate, au revoir, mon amour. o fundo de mim se mistura com o escondido de nós, se revela, se projeta. não se permite descansar. eu queria te acordar e te dizer que eu finalmente entendia o que você queria dizer com os seus pedidos insistentes de profundidade. fui intensa, não profunda. agora sou intensa, profunda. sozinha. [love is a losing game] nessas noites manhãs tardes madrugadas de insônia que sempre parecem chuvosas e geladas, e o silêncio é tão alto que som nenhum - além da sua voz - seria capaz de encobri-lo, eu mergulho em solidão. lembro de quando disse que estávamos todos sozinhos no mundo, e eu não acreditei. lembro de quando disse que um dia eu iria me descobrir sozinha e não estaria preparada para isso. me descobri, não estava. não estou. não sei se um dia estarei, e não sei se quero estar. venho tentando me convencer a viver sozinha, mas me parece que dessa maneira a vida se passa alheia a mim, sem me envolver. viver não pode ser isso, ir segurando as pontas do jeito que dá, presa no poço, cuidando pra não se afogar. se viver é isso, como é possível ser feliz assim? [love is a losing game] sento na cama, acendo luzes, abro janelas, tento obrigar a falta de ti a ir embora de mim. se é pra ficar sozinha, que seja totalmente só. às vezes fico tão atormentada que chego a pensar que você está comigo, sentir seu cheiro, seu calor, sua presença na cama vazia. mas abro os olhos e só consigo ouvir você dizendo que não, não, estamos todos sozinhos no mundo e é até o fim. então me afogo. [love is a losing game] as coisas andam chatas. muito chatas. template novo, provavelmente provisório. nem sei. ando sem paciência pra html. por Cami, às 4:23 AM. Quinta-feira, Maio 15, 2008 Lirismos desnecessários
(texto repetido do fotolog) ...engraçado que só agora eu tenha notado essa minha obsessão em manter o controle. quero sempre prever os passos, ler os pensamentos, adivinhar o futuro, não gosto de pensar que as coisas não dependem de mim. sim, eu sei, vivo te falando de destino e determinismos e vontades maiores, mas a verdade é que eu tenho medo de deixar meu destino acontecer por si só. você me diz que no jogo e no amor a gente só ganha se se arriscar, que não há nada a perder. como não há nada a perder, se de tanto me arriscar - e perder - eu já me desfiz em mil pedacinhos tão pequeninos que nem sei se um dia voltarei a ser inteira? não posso ficar me jogando em todos os abismos pra descobrir se esse será diferente, meu bem. ...me sinto puxada por uma engrenagem, hipnotizada, indo em sua direção. com medo de me prender, de ser esmagada. triste ver que os bons momentos parecem sempre esquecidos, triste só pensar em esmagamentos e nunca no fascínio da engrenagem, esquecer as risadas, os cafés, as esquinas, os gestos, os gostos, só porque não somos mais nós, só porque nos reduzimos a lirismos mal-escritos, palavras cordiais, minúsculos pedaços. e pra que serve o amor então, se o que é bom acaba esquecido em alguma estante empoeirada e o que foi ruim cria feridas que parecem insuperáveis? pra que se arriscar? percebo então que não tenho mesmo controle algum da minha vida. por mais que eu queira resistir, ser sensata, racional, já não há nada que me faça não me arriscar. quero o risco. ainda que me desfaça novamente no vento. . por Cami, às 11:47 PM. Sexta-feira, Abril 18, 2008 Me, myself and I
(ou egocentrismos) Sumi. Não porque não tem acontecido nada, mas porque aconteceu tanta coisa que eu nem consigo ordenar e escrever. Os dias têm sido bons e péssimos ao mesmo tempo. É engraçado até, mas tenho vivido num grande dejà-vu já há algum tempo. E não é bom, porque eu sei como termina e sei que não termina bem. É como se eu visse um filme pela segunda vez e não conseguisse mudar o rumo da história, mesmo sabendo que algo ruim vai acontecer. O roteiro tá escrito, o filme tá gravado e editado, não há como mudar. Também não consigo desligar a tevê, mudar de canal, nada. Sei que não termina bem, mas quero ir até o fim. Talvez seja o que chamam de esperança. A questão é que tô presa num looping infinito. Isso tem me agoniado, me angustiado e me entristecido horrores. Mas nem tudo tá sendo ruim. A faculdade tá boa e eu agradeço todos os dias por ter tido a coragem de mudar de curso. Tô até em grupo de pesquisa, e as pessoas da floresta devem imaginar o quanto isso é significativo, já que em jornalismo eu fiquei dois anos sem nem ir aos horários de extensão. Conheci algumas pessoas que valeram muito a pena e que têm me propiciado ótimos momentos. Estou conseguindo domar (aos poucos) a minha crença de que no começo é assim mesmo e que logo eu estarei sozinha. Acho que dessa vez vai ser diferente. Talvez seja, mais uma vez, a tal da esperança. Sinto saudade da floresta de vez em quando, mas é mais raro a cada dia. Sinto saudades de algumas pessoas de lá, mas tenho conseguido manter o contato com a maioria, isso me deixa feliz. Também já me acostumei com a casa nova. O lado bom disso é que já conheço o comércio das redondezas. Além disso, parece que tomo banho no chuveiro gostoso, recebo meus amigos na copa aconchegante, jogo uma sinuquinha de vez em quando e meus móveis cabem na sala a minha vida inteira. O lado ruim disso é que já nem ligo pro pôr-do-sol bonito. Banalizou. Além disso, os dias têm sido nublados demais pra me alegrar. Amo frio, mas dias nublados ou chuvosos me dão vontade de me enfiar embaixo das cobertas e não sair nunca mais. Mas eu sou mesmo chata; nos dias de sol me dá vontade de me trancar no quarto com todas as janelas fechadas. Sol me incomoda, dói nos olhos. Nublado me incomoda também, dói na alma. Aliás, esse frio tedioso tá me despertando abstinências adormecidas, que dóem horrores. Aquela vontade de ficar vendo TV num domingo de chuva, comendo chocolate, embaixo das cobertas, com aquele alguém. Saudade de ficar abraçado, de dormir junto, de esquentar as mãos um do outro (eu e essa minha mania de mãos). Já devo ter dito isso antes, mas 2008 tá sendo o ano do amor pra todo mundo. Pra mim, continua sendo o ano do gostar-de-quem-não-gosta-de-mim. Faz falta ter alguém, mas tenho vivido bem com isso, de verdade. Existe sempre alguma coisa ausente, né. Só que, ai, nos dias de chuva parece que dói mais. . por Cami, às 1:30 AM. Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008 Rainy Day Post
...e choveu no enterro, lágrimas de nuvem Esta noite eu tive a maior crise de insônia dos últimos tempos. Fiquei mais de três horas rolando na cama, fazendo relaxamento, lendo livros, pensando na vida, e nada do sono chegar. Resolvi aproveitar que já era 6h da manhã pra sentar na janela e ver o sol nascer. Aqui na casa nova (em breve farei um post com minhas considerações sobre a casa nova) tem um pôr-do-sol fantástico, coisa linda que colore o sol e reflete nos prédios espelhados e ilumina as nuvens. Sentei e esperei pra ver se o nascer do sol seria tão bonito quanto o anoitecer, mas constatei meio contrariada que em Curitiba o sol não nasce; o céu clareia, simplesmente, sem as nuances de verdes e laranjas que marcam minhas memórias de sóis nascentes. Mesmo assim, foi bonito ver o nascer da cidade, as pessoas saindo para o trabalho, indo buscar um pão fresquinho ou voltando à rotina das aulas, enquanto eu esperava pelo sol que eu sabia que viria, mas sem colorir o céu do jeito que eu precisava. Ainda tentando dormir o telefone tocou. Já era umas 8h30 da manhã, dia claro, eu ainda sem dormir. Telefonema essa hora normalmente não é coisa boa e dessa vez realmente não era: era a minha madrasta me comunicando o falecimento do meu tio, irmão do meu pai, e perguntando se eu tinha algum compromisso ou se eu iria ao velório com eles, lá em Ponta Grossa. Fui, claro. Meu tio já estava sofrendo de câncer há dois anos e meio, e quando eu digo sofrendo é REALMENTE sofrendo. Já não se alimentava, mal falava, sentia dores, enfim. Não posso dizer que não me senti aliviada com o fim do sofrimento dele. Mas é impossivel ficarmos felizes com a partida de um ente querido, e lógico, minha familia toda está sofrendo demais com isso. A morte do meu tio me fez refletir em certas coisas e me ensinou muito sobre sofrimento. Eu sempre me sinto muito sofredora, e tendemos a acreditar que nossos problemas são sempre os piores e mais dificeis de serem superados, mas eu vi o meu tio sofrendo de verdade, sem se queixar nunca, sem culpar o mundo, sem blasfemar, nem nada. Meu tio me mostrou que existem sofrimentos e dores tão inimagináveis que não devemos desejar nem ao nosso pior inimigo. Minha vó me mostrou o sofrimento de uma mãe que perde um filho, independente da idade e da causa da morte. Hoje eu pedi aos céus que levem minha mãe antes de mim. Eu não imagino minha vida sem minha mãe e não quero nem pensar no sofrimento REAL que vou sentir quando o inevitável acontecer, mas céus, seria egoísta demais da minha parte pedir pra que minha mãe precise sentir toda a dor que só uma mãe que perde seu filho, seu maior amor, pode entender. Eu não entendo, mal imagino, mas hoje eu vi. É complicado, esse negócio de vida e morte. Pra mim, a morte do meu tio não vai ter tanto impacto, pois apesar de eu gostar muito dele, não tinhamos muita convivência. Mas penso nas minhas primas, na minha tia, na minha vózinha, coitada, e dói. Dói tanto que me sinto impotente, frágil, prestes a me desfazer em cinzas a qualquer minuto, quando tudo o que eu precisava era ter toda a força do mundo. por Cami, às 9:49 PM. Segunda-feira, Dezembro 31, 2007 2007 finalmente acabou. Não sei se posso considerar 2007 um ano bom. Teve seus momentos bons, lógico, teve o show do Simple Plan, as tardes na reitoria, os prêmios do Putz, a viagem pra Ipanema, a primeira fase do vestibular, as decisões que precisavam ser tomadas. Mas foi um ano em que TUDO foi derrubado. Eu sei que é preciso derrubar para construir coisas melhores, mas é um processo EXTREMAMENTE doloroso. Estranho pensar que doze meses mudaram praticamente toda a minha vida. Não faço mais jornalismo, meu endereço em breve não será mais o mesmo, assim como meu telefone. Meu círculo de amizades mudou absurdamente, e meu namorado agora é ex. Mudei tanto e em tão pouco tempo que já nem sei mais quem eu sou.
Estou tentando acreditar que esse não-saber é bom. Em 2008 estou começando tudo do zero, me renovando, me reconstruindo. Cada recomeço é uma chance de fazer as coisas serem melhores, de corrigir os erros do passado. 2007, como eu já disse, foi um ano muito necessário e bem inesquecível, porém, não sentirei a menor falta dele, sérião. Não quero outro 2007 na minha vida. Sei lá, deve ser meu carma de anos ímpares, sempre são os piores. Estou realmente feliz porque 2007 acabou, mesmo tendo que passar pelo pior dezembro antes disso. Mas acabou e eu sobrevivi aos traumas, às decepções (tantas...), discussões, cabeçadas, fins e mudanças. 2008 vem aí e tudo o que eu peço é FORÇA para ir atrás dos meus objetivos e deixar, de uma vez por todas, o passado para trás. Feliz ano novo, gente. por Cami, às 3:22 AM. Terça-feira, Dezembro 04, 2007 É incrivel como de uma hora pra outra as coisas mudam e, no meio de tanta mudança, eu nem sei o que escrever. Não porque não tenho nada a dizer, tenho e muito, mas porque não sei como dizê-lo e nem mesmo como sentir, como pensar, como assimilar tantas coisas diferentes ao mesmo tempo. Outro dia ainda falava com um amigo meu que estava dificil me focar nas coisas que aconteciam na minha vida; que havia tanta coisa acontecendo e tanta coisa que eu desejava, que ficava dificil estabelecer uma meta e seguir fiel a ela. Tenho milhares de metas a serem cumpridas e não sei nem por onde começar a cumpri-las.
Daí o que acontece, começo a filosofar desnecessariamente e simplesmente não começo a ir atrás das coisas. Quero que elas aconteçam todas, instantaneamente, e não faço muito para que isso aconteça. Sabe quando você percebe que passou tanto tempo indo atrás de coisas que não valiam a pena, enquanto poderia estar indo atrás do que era realmente necessário? Quando você vê que gastou tanta energia, tantas lágrimas, tanta paciência, tanto amor e tanto carinho com pessoas que simplesmente não mereciam? Agradeço por ter percebido, mas ao mesmo tempo me incomoda ver o tempo perdido e, pior ainda, ter a sensação de que não aprendi com os meus erros. Sou assim, uma pessoa que não aprende muito com os erros. Bato a cabeça na parede, mal me recupero e já vou correndo em direção à parede de novo. Sou impulsiva e teimosa, a pior combinação possível, e não sei até que ponto eu posso ser diferente. Não sei até que ponto eu quero ser diferente - ainda acho que posso acreditar nas pessoas, que nem tudo vai ser ruim. Ainda tenho esperanças, por mais que nem sempre eu acredite nelas. Esse ano foi estranho. Passou estranhamente rápido e estranhamente devagar. Parece que foi ontem que eu praguejava contra agosto passado, parece que foi ontem que eu fiz 18 anos e podia ir onde quisesse, parece que foi ontem que eu fui pra praia no ano novo, parece que foi ontem que eu decidi mudar pra psicologia, parece que foi ontem que eu tirei carteira de motorista... Em compensação, parece que faz anos que eu tô solteira de novo, que eu tô fazendo vestibular, que eu fiz uma matéria com a Carlinha e com a Audi - e que me rendeu os melhores ataques de riso da minha vida -, que eu me bati a cabeça na parede de novo, e de novo, e de novo. Estranho, muito estranho. 2007 não foi um ano que eu chamaria de bom, mas foi um ano de transição. Como já disse tantas vezes, estou mudando absurdamente. Tudo está mudando. Formatei a minha vida e não pretendo deixar quase nada da minha vida antiga, com exceção de algumas poucas pessoas que ainda valem a pena. 2008 será um novo ano, eu serei uma nova pessoa, minha casa será uma nova casa, meu curso será um novo curso, meu futuro amor será um novo amor. E será tudo muito melhor. Espero também que 2008 traga posts novos e melhores. Estou sem inspiração. . por Cami, às 12:10 AM. Terça-feira, Novembro 06, 2007 Desisti de escrever, de novo.
Então Caio, de novo. Trechos do conto Anotações sobre um amor urbano, do Ovelhas Negras. Meus trechos. "Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só esta vontade quase simples de estender o braço para tocar você (...) Não diz nada, você não diz nada. Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer: não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. (...) Escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor do meu corpo contra a tua coxa. Amanhã não sei, não sabemos. Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida. (...) Ah, no fim destes dias crispados de (...) Alguma coisa então pára, todas as coisas param. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. (...) Eu tenho medo, não quero correr riscos — mas agora só existe um jeito e esse jeito é correr o risco — não é mais possível — vamos parar por aqui — quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir — estou muito cansado — não faz assim, não diz assim — é muito pouco — não vai dar certo — anormal, eu tenho medo — medo é culpa, medo é moral — não vê que é isso que eles querem que você sinta? medo, culpa, vergonha — eu aceito, eu me contento com pouco — eu não aceito nada nem me contento com pouco — eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo. Eu quero o risco, não digo. Nem que seja a morte. (...) Não tem outra magia além dessa, a de ser real, e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo louco, e vou dizendo longo sem pausa — gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você. (...) Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã. Mas o poço não tem fundo, persiste sempre por trás, as cobras no fundo enleadas nas lanças. Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim (...) Desculpe, mas foi só mais um engano? e quantos mais ainda restam na palma da minha mão? Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes (...) agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar as cobertas, cobrir a cabeça, tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas alma existe mesmo? e quem garante? e quem se importa? (...) Amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro. Não temos culpa, tentei. Tentamos. por Cami, às 12:56 AM. Segunda-feira, Outubro 08, 2007 Inspirações
Andei lendo muito Caio Fernando Abreu nessa última semana. Ouvi bastante música, algumas inspiradoras e outras nem tanto (baixei o cd novo da Britney Spears e gostei, mas não é nada inspirador, a não ser para fazer sexo). Dirigi e entre um congestionamento e outro sempre cabem uns questionamentos aqui e ali. Mais uns outros fatores e acabei criando esse post. É diferente do que eu costumo escrever aqui. Eu sempre costumo escrever exatamente o que acontece comigo, e esse post é um diferente. Digamos que ele é baseado em fatos reais. Não, ele é real, tudo nele é real, mas é estranho, ele me soa extremamente romântico e meloso e tudo o mais, mas essa parte é a ficção. Usando Caio para me ajudar a me explicar, minha semente não deve passar de uma simples avenca e eu estou muito feliz com isso. Nem eu mesma me entendo, mas enfim. Ah, Fê, desculpa, o post engraçadinho não vai ser dessa vez, de novo. Poderia ter ficado por horas sentindo a sua proximidade latente, os seus olhos escuros e seus cabelos ao vento. O sol caindo trazendo o frio, o vento gelado que me soprava na sua direção, em direção ao seu calor, o frio é mesmo uma boa desculpa, não? As sombras engolindo o dia e trazendo todas as lembranças de nossas noites, nossas proximidades, nossas distâncias, nossas mãos. Fazia frio, mas não dentro de mim, meu calor era atraído para o seu. Não sei em que momento tudo isso aconteceu, se foram nas risadas, nos abraços, nas noites, nas mãos. Insisto nas mãos, talvez porque quisesse tomá-las entre as minhas, quisesse senti-las, não sei, tenho cisma com mãos. Além disso, a sinuca, a mágica, o que seria disso sem as mãos? Como não lembrar das mãos, se são elas que batem e acariciam? Que curam e criam feridas num passe de mágica? Não sei em que momento essas coisas entraram em mim sem que eu pudesse fazer nada, me invadissem, devastassem. Lembro das árvores balançando, das flores caindo, dos cachorros e de nós, longes e próximos. Lembro dos carinhos furtivos e dos carinhos explícitos. Lembro de toda a dúvida, a ansiedade, os frios na barriga. As sombras chegando e me aproximando de você, do seu calor. Lembro da saudade que senti e da vontade de te ter por perto, mas não sei em que momento isso foi plantado em mim. A vontade de te ter por perto ainda está aqui, desde que as sombras pesaram na noite, o vento me soprou para você, as árvores sacudiram derrubando flores e nossas mãos se enroscaram de um jeito que nem mesmo dores nos braços me fariam soltá-las. A verdade é que não importa o que quer que tenha nos invadido ou quando isso aconteceu. Simplesmente não importa, nem o ontem, nem o amanhã. Não sei quando percebi que nada importava, talvez tenha sido quando disseram que eu sofro por antecipação ou quando você disse que eu estava nervosa demais, que eu precisava relaxar. Percebi que estou sempre vivendo como quem dirige, querendo prever tudo o que pode acontecer para que nada saia errado, para que eu não me perca pelo caminho. Mas dessa vez, vou deixar que nossos acidentes aconteçam e que o melhor caminho apareça por si só. por Cami, às 4:29 PM. Sábado, Setembro 29, 2007 Ok, fiquei sem internet por três dias e acabei de perder o post gigante que tava escrevendo, mas não vou me abalar. Lá vamos nós de novo. Senta que lá vem post comprido. - prometo que o próximo post vai ser mais engraçadinho okOs traumas e a vida nova
Pé na bunda dói. Acho que até o cara mais insensível-coração-gelado do mundo concorda comigo. Mas o pior é quando você mantém a rotina de ver seu ex todos os dias ou, pior, quando você mantém a ESPERANÇA. Enquanto tiver um grãozinho em você dizendo que vocês vão ser felizes para sempre, que vocês vão voltar, que isso tudo é só uma crise passageira, fica difícil esquecer, quase impossível. Aí que entra o trauma. Pense assim. A relação tá uma merda, mas você acha que pode salvar tudo. Não pode. Vocês resolvem terminar, numa boa, com uma conversa super pacífica e sem lágrimas, desejando sorte nos próximos relacionamentos. Tipo, vai sobrar um MUNDO de esperança [pelo menos em mim ok]. Agora, se o fim é com uma briga ou com uma decepção do tipo "eu não acredito que ele foi capaz de fazer uma coisa dessas comigo" o trauma é tanto que não sobra nem esperança e nem AMOR [novamente falo por mim]. Você fica puta, chora rios (cry me a riveeeeeeeeeeer), come uns chocolates, levanta, se arruma e vai procurar alguém que não faça o que ele fez. Alguém que te trate como você merece. Tenho que confessar que fui uma filha da puta pra terminar meus ultimos relacionamentos. Um deles mereceu, mas o outro não e deve me odiar até hoje. Hoje ele tá com outra e parece feliz com ela e eu fico sinceramente feliz por ele, JURO! Ele me amava, mas acho que o amor acabou em menos de uma semana com o trauma. Talvez ele tivesse sofrido mais sem o trauma. Talvez ele nem tivesse com ela sem o trauma, já que eles começaram a namorar fazia menos de um mês que a gente tinha terminado. Talvezes, talvezes. O que eu sei é que eu fiquei muito traumatizada com o que aconteceu no meu último pé na bunda, mas posso dizer sinceramente que estou recuperada, iniciando uma nova vida e muito melhor, muito obrigada. Ok, estou fazendo terapia, estou tomando remédios, mas acho que não ter feito isso antes foi o que acabou com o meu relacionamento, e não o contrário. Não ter procurado ajuda antes tava acabando com a minha vida também, o pé na bunda foi só a última gota que eu precisava pra levantar de vez. Tenho me divertido demais, tenho os melhores amigos que alguém possa ter, tenho passado tempo com eles, tenho me focado no que preciso, tenho tido friozinhos de barriga pré-adolescentes. Ok, ok, faltam os beijos, os abraços, o sexo, o somebody to love e o ser amada, mas isso na hora certa aparece. Pelo menos a companhia pro cinema e pro Tim Festival eu já arranjei ;) por Cami, às 1:09 AM.
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